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Economia Comportamental

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Categoria: Blog

O que é “clima organizacional”?

“Clima” é um conceito do campo da Geografia. Se o céu estiver escuro e trovoando, dificilmente você esquecerá o seu guarda-chuva…  O termo clima em Geografia é utilizado para designar um “tempo metereológico médio”, em que fenômenos na atmosfera da Terra ocorrem.

Esse conceito foi incorporado à Administração para se referir a parte de um processo comportamental nas organizações. Esse conceito se refere à percepção das pessoas sobre a empresa, suas condições de trabalho e satisfação para trabalhar. A forma como as pessoas percebem o ambiente organizacional é o que define o clima de uma empresa. Vale destacar que “clima organizacional” é uma forma metafórica de se referir ao conjunto de percepções dos colaboradores sobre as múltiplas variáveis que intereferem sobre seus trabalhos.

Um aspecto importante sobre esse conceito é que quando falamos em “clima organizacional” não falamos do que de fato acontece na empresa. O que é examinado é apenas o relato verbal das pessoas sobre o que acontece. Isso, por vezes, pode não corresponder aos fatos concretos ou, ainda, pode nada nos falar sobre aquilo que de fato é importante para se compreender a dinâmica de uma organização.

Uma pesquisa de “clima organizacional” pode ser um meio para se iniciar um processo de caracterização das condições de trabalho em uma empresa, mas não podem constituir um “diagnóstico” preciso do que de fato ocorre. Essas pesquisas podem ser um bom começo, mas são pouco para revelar informações que possibilitem intervenções precisas e eficazes para aperfeiçoar as condições de tabalho.

Confira algumas das variáveis que constituem o “clima de uma empresa” na organização de variáveis que fiz a partir de algumas obras sobre o tema.

Variáveis mensuradas em pesquisas de “Clima Organizacional” (Gusso, 2010):

1. Dados demográficos
a.Pessoais.
b. Profissionais (expectativas, objetivos, etc.)

2. Visão geral sobre a organização
a. Conhecimentos e percepções sobre a missão, valores, estratégias e metas organizacionais.
b. Conhecimentos e percepções sobre a estrutura e dinâmica organizacional.
c. Conhecimentos e percepções sobre a cultura da organização.
d. Imagem interna e externa da empresa.
e. Percepções e satisfação com as condições de trabalho
f. Percepções e satisfação com o ambiente físico da empresa

3. Relação com as lideranças

a. Conhecimento e percepção sobre as lideranças (alta direção, gerentes etc.).
b. Satisfação com o relacionamento e decisões das lideranças.
c. Percepções e sentimentos em relação ao desempenho do chefe imediato
d. Percepções e satisfação em relação ao estilo do chefe imediato

4. Relação com o trabalho e com os colegas
a. Percepções e satisfação com o trabalho (realização profissional, sentido, relevância e desempenho).
b. Percepções e satisfação na relação com os colegas.
c. Percepções e satisfação em relação ao ambiente de trabalho.
d. Percepções e satisfação em relação a comunicação organizacional
e. Percepções e satisfação em relação às políticas de RH e benefícios.

Impressione o mercado!

A cada dia me surpreendo mais com a criatividade humana. No vídeo abaixo um jovem e não tão promissor talento do mercado publicitário apresenta seu portfólio para algumas das mais renomadas agências de publicidade do país. Vendo que suas habilidades não farão muito sucesso, o rapaz tem um plano B para impressionar os possíveis futuros chefes. Confira:

O que é ser holístico? Ou porque o alérgico não precisa de remédios…

Já estamos nos acostumando a ver propaganda de serviços que se intitulam como holísticos em nosso dia-a-dia. Mas a que se refere esse adjetivo quando inserido junto ao nome daquilo que é prestado como serviço de um profissional? Talvez a constatação mais fácil de se fazer é que provavelmente o serviço prestado (1) não é igual a prática médica tradicional (modelo médico de saúde) e (2) contém elementos de atividades sem reconhecimento científico, mas que são cultuados por culturas diferentes (oriental, indígena, africana…).

Mas será que é isso mesmo o significado do adjetivo “holistico”?

Creio que o entendimento de senso-comum, produto do uso inadequado desse termo por muito profissionais sem uma mínima formação científica, é equivocado e tentarei explicitar meu ponto de vista neste post. Vamos lá…

Holismo, no dicionário (Michaelis) significa…

Compreensão da realidade em totalidades integradas onde cada elemento de um campo considerado reflete e contém todas as dimensões do campo (…), evidenciando que a parte está no todo, assim como o todo está na parte, numa inter-relação constante, dinâmica e paradoxal“.

A noção de que nada pode ser compreendido de maneira desconexa das demais partes componentes de um sistema, é o núcleo definidor do que caracteriza algo holístico. Isso quer dizer que se alguém apresenta uma úlcera no estômago, não deveríamos apenas tratar o excesso de acidez estomacal, mas tudo aquilo que está relacionado de alguma forma com o problema. Por exemplo, quais as características da alimentação dessa pessoa? Com que frequência ingere cada tipo de alimentos? Quais as características de sua rotina? Com que tipo de situações estressantes lida? Como lida com essas situações? Que novos comportamentos seriam importantes de serem apresentados para diminuir a probabilidade de ter problemas estomacais? Entre tantos outros caminhos que poderíamos seguir… Observe: não citei absolutamente nada relacionado ao campo esotérico ou espiritual…

Vamos a outro exemplo: Eu nasci e vivo até hoje com o (1) rótulo de “alérgico”. Tenho problemas com alguns tipos de medicação, ácaros e variações bruscas de temperatura. Cresci sempre ouvindo que (2) sou alérgico, que isso (3) não tem cura e que devo fazer (4) tratamento medicamentoso para manter a alergia sobre controle.  Tudo isso que citei caracteriza a grosso modo o modelo médico de saúde que ainda vigora em nossa sociedade. Mesmo sendo psicólogo e analista do comportamento, até recentemente aceitava esse meu estado com tranquilidade, por viver em um contexto cultural em que isso é normal. Mas nunca foi adepto de terapias medicamentosas prolongadas e sempre evitei tratar minha alergia.

Eis que um belo dia, inconformado com o fato de sempre ter crise alérgica após sair do banho (síndrome de cascão, segundo minha mãe…), resolvi fazer uma análise holística de meu problema. Deixei de lado o rótulo de alérgico (que para nada serve…) e examinar as múltiplas variáveis envolvidas no problema. Antes de tomar remédios, decidi aumentar meu controle sobre variáveis ambientais controláveis que poderiam afetar minha saúde. Por exemplo, a temperatura da água do chuveiro! Sim, é isso mesmo. Constatei que meus banhos no inverno são em temperatura elevada (quase cozinhando). Eu simplesmente regulei a temperatura do chuveiro para algo próximo a temperatura de meu corpo (aproximadamente 37 graus), que embora não de a sensação gostosa de calor durante o banho, propicia condição confortável para banhar-se e, acreditem, eliminou meu problema de crises alérgicas pós-banho (além de ser uma contribuição à conservação ambiental pela economia de energia).

O problema com ácaros eu já havia aprendido a resolvê-lo com minha mãe há muito tempo, bastando manter a casa e o trabalho em boas condições de higiene. E o problema com medicamentos também já resolvi há muito tempo: basta não ingerir os tipos que me provocam reações alérgicas.

Afinal, onde quero chegar com tudo isso? Na demonstração de que uma intervenção holística não precisa ser algo que envolve misticismo, esoterismo ou experiências espirituais. A análise daquilo que acontece levando em consideração as múltiplas variáveis que estão relacionadas com o fenômeno é o que caracterizam o holismo. Esse mesmo processo é também chamado de “análise sistêmica”. A quantidade de variáveis e interações entre elas que precisam ser examinadas em cada caso, é um problema em aberto e que precisa ser examinado a cada vez que vamos fazer uma análise ou síntese (intervenção) holística.

Aprender a fazer uma boa análise holistica ou sistêmica é uma parte importante do trabalho do profissional que lida com Ciência.

Embora seja comum o uso do termo holistico de modo inadequado, há exemplos de usos muito pertinentes para esse termo. Um deles é o da empresa Holistic Training (”Treinamento Holístico” em tradução literal), que promove saúde por meio de atividades físicas. O método desenvolvido por eles incluiu variáveis relacionadas ao campo da musculação e atividades aeróbicas (como outras modalidades esportivas também o fazem), mas, o que é o grande diferencial deles, é que desenvolveram procedimentos para levar em consideração múltiplas variáveis  ”psicológicas” ou do comportamento de seus clientes. Os estados de humor, grau de ansiedade, tipo de rotina que a pessoa vivencia, objetivos de vida pessoal e profissional, entre outras, são consideradas na programação das atividades.

O holístico do Holistic Training não está fundamento em misticismo ou crendices, mas no que há de mais sofisticado no campo das Ciências. Seus criadores, três profissionais brasileiros, investiram em formação científica e em muita pesquisa para formular um serviço que de fato pudesse utilizar o termo holistico como parte de seu próprio nome.

Qualquer bom profissional que lida com a saúde deveria ser, por definição, um profissional cientista holistico. Talvez por deficiência na formação dos profissionais nas universidades ou pela ênfase demasiada na especialização em campos cada vez mais reduzidos, a noção de que um indivíduo é um todo comum e que todas suas partes interagem entre si e com o ambiente no qual vive tenha ficado distante da formação desses profissionais.

Nossa expectativa e esperança é que essa noção sistêmica do que constitui o holismo seja resgatada na formação dos profissionais de saúde para que possa promover uma revolução na maneira como lidamos com a saúde.

Por hoje é isso. Espero por seus comentários!

Grande abraço,

Hélder

O dia está na minha frente esperando para ser o que eu quiser

Hoje, corrigindo TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) deparo-me com uma belíssima citação de Charles Chaplin na epígrafe do trabalho. Compartilho com vocês:

Hoje levantei cedo pensando no que tenho a fazer antes que o relógio marque meia noite.
É minha função escolher que tipo de dia vou ter hoje.
Posso reclamar porque está chovendo ou agradecer às águas por levarem a poluição.
Posso ficar triste por não ter dinheiro ou me sentir encorajado para administrar minhas finanças evitando desperdício.
Posso reclamar sobre minha saúde ou dar graças por estar vivo.
Posso me queixar dos meus pais por não terem me dado tudo o que queria ou posso ser grato por ter nascido.
Posso reclamar por ter que ir trabalhar ou agradecer por ter trabalhado.
Posso sentir tédio com o trabalho doméstico ou agradecer a Deus.
Posso lamentar decepções com amigos ou me entusiasmar com a possibilidade de fazer novas amizades.
Se as coisas não saírem como planejei posso ficar feliz por ter hoje para recomeçar.
O dia está na minha frente esperando para ser o que eu quiser.
E aqui estou eu, o escultor que pode dar forma.
Tudo depende de mim.

.
Charles Chaplin

Avaliação do II ECAC

Antes do evento…

II ECAC entrou para a história da Análise do Comportamento no Sul do BrasilA história do II ECAC (Encontro Catarinense de Análise do Comportamento) tem detalhes que talvez poucos conheçam. Após a realização do primeiro encontro, em abril de 2007, havíamos planejado realizar a segunda edição em 2009. Uma equipe de organizadores foi estruturada ainda em 2008, projeto submetido a agência de fomento do Governo de Santa Catarina (FAPESC) e, ainda em 2008, a aprovação da verba para realização do evento.

O que parecia ser um início tranquilo, tornou-se um pesadelo. O acesso a verba liberada era mediado pela UFSC, por meio de sua fundação (FAPEU) que, naquela época, sofreu intervenção do Ministério Público  por problemas fiscais. Nossa esperança de realizar o evento, que se torna inviável sem o apoio da FAPESC, foi por água abaixo. Além do ECAC, muitos outros eventos sofreram o mesmo nesse período.

A FAPESC, visando superar esse problema, mudou seus procedimentos e passou a assinar contrato diretamente com o pesquisador responsável, tirando a intermediação da FAPEU, abrindo novo edital para evento. Isso possibilitou que encaminhassemos novamente o projeto para uma nova solicitação de recursos. Com isso, a realização do II ECAC em 2010 começou a tornar-se uma possibilidade.

img_0859_1001x669Foram muitas reuniões dos organizadores (Sílvio, Olga, Nádia, Juliane, Gabriel, Hélder, Fernanda, Celina e Eduardo) avaliando demandas de nosso estado para serem atendidas por meio do encontro, possibilidades de programação e convidados, análise de espaços para realização do evento, entre outras atividades necessárias na organização desse tipo de encontro. Tudo parecia caminhar em passadas fortes.

Mas para nossa surpresa, mesmo com o novo procedimento da FAPESC, a liberação da verba para o evento demorou muito. Já em 2010 ainda estávamos angustiados com a dificuldade (pra não dizer incontrolabilidade e imprevisibilidade!) para encaminhar a organização, por não saber se teríamos o recurso necessário.

Com tudo isso, entramos em um dilema: Sabíamos que se não divulgassemos logo o evento, não teríamos público. Se divulgassemos, talvez não tivessemos a verba para realizá-lo. Um dilema de tirar o sono…

Em fevereiro de 2010 eu, pessoalmente, já estava desiludido. Já tinha me convecido de que o evento não aconteceria. Para minha surpresa, Silvio e Olga convocaram mais uma reunião para dar encaminhamento ao evento. Eu já sou macaco velho na organização de evento (já somam mais de 15 organizações nos últimos 10 anos). Encontrei Sílvio no corredor e falei para ele que teríamos muito pouco tempo para organizar e divulgar o evento e que isso traria muito estresse além do que já vivemos na correria do dia-a-dia. Disse ainda: “inviável“. Sílvio simplesmente ignorou minha argumentação, disse que tudo daria certo e confirmou a reunião.

img_0901_1037x1555Embora eu acreditasse que as condições não nos eram favoráveis, mantive-me junto aos organizadores e buscando forças pra acender chamas de esperanças de que tudo seria possível e que teríamos um bom encontro. Mas, confesso, sabia que com apenas 2 meses de divulgação teríamos grandes dificuldades.

Os dois meses de reta final passaram, além dos 9 organizadores, juntaram-se um verdadeiro exército de bravos monitores. Além deles, contamos com o apoio de muitos ex-alunos de Sílvio e Olga que hoje se multiplicam por Santa Catarina e Rio Grande do Sul, disseminando a Análise do Comportamento às novas gerações.Com todo esse apoio, demorou mas os participantes apareceram: estudantes e profissionais de todo o Estado de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. Tínhamos aquilo que é mais importante em um evento: participantes.

Apesar da pressa para viabilizar tudo, as contingências criadas, mantidas e fortalecidas foram muito favoráveis para que os encaminhamentos ocorressem com relativa tranquilidade e principalmente com muito afeto e respeito por todos.

O evento: II ECAC

A qualidade de um encontro é proporcional a qualidade das contingências criadas por seus organizadores. A equipe de monitores funcionou muito bem, o ambiente foi bem organizado, a família do Silvio e Olga contribuíram muito para a organização dos lanches nos intervalos e, o que é mais importante, as pessoas (participantes, conferencistas e organizadores) estavam felizes. Um ambiente gratificante para todos que lá estavam.

Dito tudo isso sobre a organização do evento, é hora de falar sobre as atividades lá realizadas…

Desde o início dos preparativos do II ECAC em 2008, a proposta era que no evento fosse evidenciado aspectos importantes do desenvolvimento da Análise do Comportamento como uma contribuição a sociedade. E foram 2 anos de preparação formulando uma idéia de programação, descobrindo pessoas que pudessem contribuir para esse exame.

img_0955_1037x1555O evento começou com Sílvio Botomé apresentando um exame de múltiplas contribuições na história da Ciência e da Análise do Comportamento que possibilitaram o desenvolvimento de uma Ciência Comportamental que produz efetivas mudanças na sociedade e que possibilita enxergarmos e entendermos as contingências sob as quais nos comportamos. Essa apresentação foi uma espécie de sinopse do que aconteceria nos dois dias seguintes com graus de detalhamento ainda mais sofisticados a partir das contribuições dos conferencistas convidados.

No segundo dia, começamos com Mônica Gianfaldoni (PUCSP) explicitando contribuições gerais da história de desenvolvimento da Ciência e a localização da Análise do Comportamento como parte dessa história. Um aspecto que parece ter sido bem valorizado é a caracterização da Ciência como um processo de conhecer que possibilita ao homem compreender com alto grau de precisão o mundo a sua volta. Outro aspecto importante é a valorização do trabalho de quem dedicou sua vida, ou parte dela, para criar condições para que as gerações posteriores pudessem ir além. Criticar qualquer cientista ou filósofo por limitações de suas idéias no passado as vezes parece ser um fetiche de estudantes contemporâneos, que não percebem que as idéias dessas pessoas é que possilitaram, inclusive, que fossem identificadas possibilidades de ir além de suas próprias idéias. Respeito ao que veio antes, modéstia para reconhecer que não partimos de um vazio, mas do produto dos comportamentos de muitos outros é uma lição de sensibilidade, ética e respeito.

Em seguida tivemos a sempre preciosa contribuição de Isaias Pessotti, nosso pensador. Isaias apresentou a história ou desenvolvimento da Análise do Comportamento desde as contribuições dos fisiologistas como Pavlov, passou por Skinner e Keller até as contribuições dos pioneiros da Análise do Comportamento no Brasil, como Carolina Bori, Rodolfo Azzi, ele próprio e os demais pioneiros. Detalhou essa história com a perícia de quem a viveu e lutou muito por tudo isso. Como sempre, Isaias nos deliciou com muito humor as dificuldades, desafios e superações que os bravos guerreiros behavioristas da primeira geração no Brasil tiveram que enfrentar para superar desafios políticos como a ditadura militar e o próprio preconceito para com os behavioristas. Vale destacar as histórias de como eram os primeiros experimentos, com equipamentos montados por eles próprios e as descobertas decorrentes de tudo isso. Isaias, nosso pensador, nos fez questionar nossos próprios comportamentos e valorizar aqueles que abriram a possibilidade de estudar e trabalhar com análise do comportamento no mundo e no Brasil.

img_1037_1555x1037Continuamos com preciosa contribuição da Tatu (Maria Helena Leite Huzinker da USP) que destacou um princípio fundamental para a compreensão das contribuições da Análise do Comportamento: todo comportamento é adaptado. O que chamamos de “doença psicológica” é mais um nome para uma interação específica entre um indivíduo e seu ambiente do que algo que ocorre dentro desse indivíduo. Tatu, que é uma cientista de referência no mundo em seus estudos sobre desamparo aprendido, apresentou dados do que descobriu por meio de pesquisa básica e, o que foi mais importante, ilustrou com muita modéstia e precisão a quantidade de variáveis que simplesmente não temos conhecimento ainda sobre processos comportamentais. O trabalho do cientista é cumulativo e apresenta avanços graduais. Não temos uma Ciência acabada, pois isso seria contrario a própria definição de Ciência. Temos um processo que nos permite conhecer, avaliar o conhecimento e aperfeiçoa-lo constantemente a partir das novas descobertas. E foi isso que a Tatu nos demonstrou.

Para fechar o segundo dia de evento, Vera Regina Otero (ORTEC Ribeirão Preto) que é uma das pioneiras em terapia comportamental no país, relatou aspectos importantes no trabalho de um psicólogo clínico a partir do conhecimento científico e dos princípios e métodos da Análise do Comportamento. A coerência entre a forma de atuação de um analista do comportamento e o que entendemos por Ciência parece ter sido muito bem evidenciado. Técnicas e instrumentos são acessórios que ajudam o terapeuta, mas não o que orienta sua atuação. Aprender a caracterizar comportamentos (ou analisar comportamento) e a sintetizar novos comportamentos ou fortalecer os existentes são aquilo que é mais importante. Aprender a fazer isso requer contínuo estudo das contribuições das pesquisas básicas e a modéstia de compartilhar as próprias descobertas com os outros e aprender com os outros.

img_1270_1555x1037No último dia do evento (17/04/2010), tivemos mais 3 atividades. Na primeira, Roberto Banaco (PUCSP e PARADIGMA) examinou sua própria história como aprendiz, profissional e professor de Análise do Comportamento. Essa atividade permitiu que os participantes, em sua maior parte estudantes de graduação e pós-graduação identificassem os desafios, dificuldades e conquistas de um profissional nessa área de conhecimento. A valorização de outros profissionais com quem aprendeu a comportar-se como analista do comportamento demonstrou, mais uma vez, o respeito e a modéstia de reconhecer que ninguém cresce sozinho nesta vida. Roberto, de maneira muito afetiva, transformou sua apresentação em uma verdadeira homenagem a todos aqueles que lhe possibilitaram aprender novos comportamentos. Por fim, Roberto apresentou os fatos e idéias que culminaram na criação do Núcleo Paradigma em São Paulo que hoje é uma das referências em formação de profissionais analistas do comportamento no país. A criação desse empreendimento possibilitou condições para desenvolvimento de profissionais iniciantes e abertura de novos campos de atuação em Análise do Comportamento. A orientação de um projeto dessa magnitude orientado para necessidades da sociedade foram impactantes para todos nós, que não conhecíamos a gênese do projeto e as dificuldades enfrentadas ao longo do caminho.

Em seguida tivemos a apresentação de um profissional que nem sabia que Análise do Comportamento existia, mas que já está a pelo menos 60 anos lutando pela construção de melhores contingências em comunidades e ensinando comportamentos de grande valor social para aqueles que são marginalizados na sociedade. O irmão Antônio Cecchin há muito tempo trabalha com catadores de papel, agricultores sem terra entre outros grupos que vivem a margem da sociedade em condições muito precárias de vida. A vitalidade desse senhor de 82 anos que continua atuando ativamente a frente de movimentos populares comoveu a todos nós. Um homem que dedicou e dedica todos os seus dias na luta por aqueles que nada têm e que vive no mundo marginalizado. A pergunta “A quem nós psicólogos servimos de fato?”, questionada por Sílvio Paulo Botomé em um artigo polêmico na década de 1980, e a idéia de uma Análise do Comportamento como “parte do problema ou parte da solução”, indicada por James Holland em seu clássico artigo com esse nome, voltou a tona: estamos atuando para promover boas contingências, equilibrio nas relações de poder, melhores condições de vida àqueles que necessitam ou apenas reproduzindo aquilo que nos dá conforto e atendendo a pequena parcela da sociedade que já detem poder e recursos em demasia?

img_1344_1555x1037Irmão Antônio foi aplaudido de pé por todo o público em reconhecimento das batalhas que enfrentou em sua vida e nos ideiais que orientam suas ações sem nunca perder a esperança e o bom humor. Confesso que chorei ao final de sua apresentação. Ver um homem que tanto estudou (vários cursos de graduação em seu currículo e uma erudição fantástica) que se dispõe a viver com os pobres e os ensina a lutar por seus direitos. Antônio é um legítimo exemplo de um homem que apresenta “comportamentos behavioristas”, examinando contingências, identificando necessidades sociais e intervindo sobre elas.

A última atividade envolveu o depoimento de diversos colegas que passaram pelo Programa de Pós-graduação em Psicologia da UFSC, na linha de pesquisa em Análise do Comportamento, que relataram o que aconteceu em seus trabalhos após a pós-graduação. Identificar os desafios e as conquistas de cada um deles foi uma espécie de motivação para aqueles que se encontram em meio a suas formações e que, agora, localizam melhor aquilo que fazem em um panorâma histórico mais amplo e enxergam contingências que devem orientar suas ações na sociedade.

Por fim…

Fortes emoções foi o que vivi no II ECAC. Consegui enxergar com mais clareza e precisão uma quantidade enorme de variáveis envolvidas no meu próprio comportamento profissional. E aprendi uma lição muito importante que gostaria de compartilhar.

Eu disse que em dado momento sugeri que cancelassemos o evento para evitar confusões e estresse para os organizadores. Nesse momento eu estava olhando mais para necessidades internas minhas e para o conforto e bem estar dos demais organizadores. Sílvio Botomé ignorou isso e eu achei na época que fosse uma decisão insensata dele. Mas o ânimo dele e dos demais organizadores era tão grande que eu também fui contagiado para manter-me trabalhando nisso. Depois do ECAC, ficou claro para mim que o que controlava o comportamento dele era a função social do evento, os benefícios diretos e indiretos para todos os participantes e não a dificuldade ou problemas que poderiam ocorrer para os organizadores.

Mais uma vez, “a quem nós psicólogos servimos de fato?” parece ser uma pergunta crucial para nos fazermos todos os dias antes de irmos para nossas empresas, consultórios, faculdades, etc. ou mesmo quando organizamos encontros para estudantes.

Só tenho a agradecer a todos os colegas organizadores por todo o trabalho empreendido e por me manter animado mesmo quando perdi as esperanças, ao exército de monitores que viabilizaram a ocorrência do evento, aos conferencistas convidados por suas preciosas, afetivas, modestas e respeitas contribuições, e aos participantes que mesmo sabendo do evento em cima da hora acreditaram no ECAC como uma boa oportunidade de atualização em Análise do Comportamento.

Agora é hora de avaliar tudo o que aconteceu para viabilizar novas contingências coerentes com o que acreditamos e fortalecer as que já construímos. Quem sabe, em 2012, compartilhamos novas vivências no III ECAC.

Confira a galeria de fotos do evento clicando aqui.

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Puma dá um show de criatividade e inovação

O que você faz com a caixa dos tênis e sapatos que compra?

Pois é… será que não é muito desperdício de papel, recursos naturais, energia e água produzir caixas de sapato como as conhecemos? Grandes empresas de calçados teriam problemas para organizar a logística de distribuição de seus calçados se simplesmente abolisse as caixas. Já imaginou a dificuldade para organizar um container de sapatos sem caixas?

A Puma investiu tempo, dinheiro e muito suor para produzir um novo sistema que reduz o impacto ambiental da caixa e mantém os benefícios do formato de caixa para a distribuição de seus calçados. Idéias simples e geniais. Confira o vídeo com o novo conceito de embalagem da Puma:

Saiba mais sobre efeitos de diferentes tipos de drogas

Recebi do Carlos Rorhbacher, amigo doutorando em Psicologia, um link pra uma animação que explica a forma de atuação dos principais tipos de drogas na bioquímica do cérebro e os efeitos que isso provocam no organismo. É um excelente material para compreender os processos químicos envolvidos no uso de entorpecentes.

Confira a festa dos ratos (em inglês):

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Participação nos lucros e as relação empresa x trabalhador

A contra-capa do Folha de São Paulo é sempre uma fonte rica e preciosa de informações e análises críticas (salvo exceções, como as porcarias escritas pelo José Sarney veiculadas semanalmente). No dia 07 de fevereiro de 2010 o empresário Emílio Odebrecht publicou artigo entitulado “Lucros e Resultados” em que descreve parte das variáveis envolvidas na atual ênfase na participação dos resultados nas empresas brasileiras. Vale a pena conferir:

Lucro e Resultados por Emílio Odebrecht

A participação dos trabalhadores nos resultados é hoje um imperativo na vida de qualquer empresa. Na era em que vivemos, o que faz a diferença são o conhecimento que as pessoas dominam e a interação entre elas, que gera o conhecimento coletivo. O decisivo é o fator humano, condição que dá a cada indivíduo o direito de sentir-se sócio e comportar-se como dono da organização onde trabalha.

Por essa razão, temos assistido no Brasil a uma grande evolução nas formas de se construírem as relações entre os trabalhadores, seus líderes ( diretores ou não) e os acionistas. Não precisamos, portanto, de novas leis ou normas desconectadas da realidade, mas de uma nova mentalidade pautada pela crença no valor da parceria e na capacidade de cada empresa definir seu próprio modelo de partilha dos resultados e de incentivo à produtividade.

Para contribuir com o debate em curso sobre o tema, listo abaixo o que considero as premissas indispensáveis
dessa agenda:

- No mundo do trabalho, devemos estimular sempre o diálogo entre líderes e liderados.

- A política de distribuição generalizada dos resultados obtidos pela empresa, a partir de um valor mínimo pré-estipulado, cria cartórios e desestimula os mais produtivos - o que não ocorre quando a participação equivale a uma taxa previamente pactuada sobre as metas a serem alcançadas pelo setor ou divisão da companhia.

- A avaliação de um profissional para efeito de pagamento de bônus não deve ter como parâmetro exclusivamente o lucro, mas o conjunto de resultados tangíveis e intangíveis que ele logrou alcançar, dentre os quais está o lucro, porque, sendo este a única medida, a empresa não terá parceiros, terá mercenários.

- Deve prevalecer sempre o conceito básico da autorremuneração, o que significa que todo profissional que tenha uma relação formal com uma empresa deve tomar consciência de que precisa produzir, sim, lucros com o seu trabalho e que parte dele serve para sua retirada mensal e para a remuneração variável a que fizer jus. A sobra cabe à empresa investir, de modo a criar novas oportunidades para outros trabalhadores, dar retorno aos seus acionistas e cultivar intangíveis que façam diferença na perspectiva do futuro.

- Finalmente, empresas e trabalhadores precisam ser vistos como uma coisa só, entes convergentes e não antagônicos, cujas relações já superaram arcaicas concepções de opressor e oprimido e que dispensam o paternalismo legalista, que não educa, não promove e não valoriza quem tem valor e traz resultados de fato.”

Avaliação de eficácia de treinamentos

Hoje em uma comunidade sobre treinamento & Desenvolvimento no orkut apareceu um questão sobre avaliação da eficácia de treinamentos. É um tema que remete diretamente ao meu trabalho e sobre o qual eu já desenvolvi vários estudos e tive a oportunidade de lecionar sobre isso. Não resisti e escrevi uma resposta. Postei aqui no blog para compartilhar com vocês:

Questão:

“Gostaria de saber como vcs comprovam a eficacia de um treinamento. Já vi algumas empresas que aplicam uma prova após o treinamento, outras que fazem o acompanhamento do funcionario na area e emitem um laudo dizendo se ele está apto ou nao a exercer a função. Gostaria de saber se existe alguma outra forma.

Obrigada, Lady.

Resposta:
Há diferentes tipos de avaliação de treinamentos, com funções diferentes.

O mais habitual é o que você chamou de “avaliação de reação“. A função dessa avaliação é caracterizar a percepção dos participantes sobre o que foi realizado. Se as pessoas se sentem satisfeitas, se acham que valeu a pena, se acham que o facilitador foi didático, se consideram que o local e recursos eram apropriados, etc. Esse dado é importante para nós, mas talvez ele pouco diga sobre o que de fato ocorreu no treinamento. Quais os critérios que as pessoas utilizam para avaliar? O quanto elas podem ser hábeis para identificar o quanto as atividades realizadas cumpriram seus objetivos? Entre outros problemas para nós…

Outra coisa habitual é a realização de “testes” e “provas” para mensurar se informações foram compreendidas. O principal limite disso é que apenas mensura a “memorização” ou “entendimento de informações”. A questão para nós treinadores é que a maior parte do que buscamos desenvolver não está no ãmbito da memorização. Buscamos desenvolver comportamentos profissionais e isso não se mede com provas ao final de uma exposição oral.

Ok… voltando a sua pergunta: o que fazer para além disso?

O Ilan indicou algo super importante para podermos elaborar estratégias mais elaboradas de avaliação de treinamentos. Precisamos de muita clareza sobre os objetivos do treinamento. O problema é que geralmente os treinamentos não tem objetivos claros e descritos apropriadamente, o que inviabiliza procedimentos de avaliação mais sofisticados.

Na Psicologia (talvez até poucos psicólogos conheçam isso…) Temos dois métodos e dois procedimentos validados cientificamente que contribuem MUITO para avaliar treinamentos:

1) Observação indireta de comportamento;
2) Observação direta de comportamento;
3) Procedimentos de linha de Base; e
4) Procedimentos de linha de base múltipla.

Sendo que a última é muito mais sofisticada do que a primeira…

A “eficácia”, por definição, depende da análise do impacto do treinamento para ser avaliada. Por isso, é importante se ter parâmetros de análise pré e pós treinamento.

A realização de um treinamento deveria ser decorrência da identificação de necessidades de desenvolvimento dos colaboradores em relação a algo (desde procedimentos técnicos à forma de se relacionar com colegas). Essa identificação usualmente é feita de maneira genérica, baseada basicamente na sensação de que “algo precisa ser feito”, mas sem a análise miniciosa de quais são os comportamentos-objetivos a serem desenvolvidos. Por exemplo, quando um gestor me solicita um treinamento pra “integração”, ele apenas fala de algo genérico… Meu trabalho é investigar o que acontece na empresa para que ele venha até mim procurar um treinamento para “integração”. O produto dessa análise provavelmente me indicará os comportamentos-objetivo.

Há dois métodos pelos quais podemos coletar essas informações:

1) Observação indireta de comportamento

Utilização de indicadores que deêm pistas sobre os comportamentos-objetivo a serem desenvolvidos. A coleta de informações pode ser por meio de entrevistas, depoimentos, questionários ou pela análise de indicadores desses comportamentos. A idéia é coletar informações que permitam identificar as características do desempenho das pessoas, quando é inviável ou há alto custo para a realização de observações diretas.

2) Observação direta de comportamento

Os próprios comportamentos-objetivos, ou parte deles, são observados. Essa modalidade permite maior grau de confiabilidade do que a anterior.

Além de utilizar um método de observação (ou os dois em conjunto…), é possível utilizar procedimentos que me permitirão demonstrar a eficácia da intervenção realizada:


3) Procedimentos de linha de Base

A partir da análise realizada antes do treinamento, identificam-se a frequência dos comportamentos objetivos (variável mais precisa) ou de algum indicador desses objetivo. Frequência de um comportamento, impacto financeiro de cpto inadequado, quantidade de erros, quantidade de acidentes, são alguns exemplos de variáveis que podem ser mensuradas. Há variáveis mais difíceis de mensurar, mas não impossíveis. As tecnologias hoje fazem milagres pela gente. Um exemplo são os totens nas “lojas renner” que indicam a quantidade de clientes satisfeitos ou insatisfeitos. Um treinamento sobre atendimento a cliente, deveria impactar no resultado mensurado diariamente no totem!

3) Procedimentos de linha de Base Múltipla

Esse procedimento funciona da mesma forma que o anterior, mas nós ainda contrastamos os dados com os de outros grupos que passam pela mesma intervenção. Seguindo o exemplo da Renner, suponha que você deu treinamento em 5 filiais. Você pode monitorar o resultado dos totens de satisfação do consumidor ao longo de 2 meses e monitorar o que acontece após o treinamento em cada filial. Se o treinamento aparecer como uma variável determinante de uma mudança significativa, você terá uma inegável comprovação da eficácia de seu treinamento.

Isso tudo que escrevi é vastamente utilizado e descrito por psicólogos analistas do comportamento ou pela turma da “OBM” (organizational behavior management) que faz uso de procedimentos experimentais na avaliação de intevenções em Psicologia.

Espero ter ajudado de alguma forma…

abraço e bons treinamentos!

Hélder

Todos dançando ROUBOLATION em ano eleitoral

Após o sucesso do Rebolation no carnaval, chegou a hora do Roubolation no ano eleitoral. Um grupo de humoristas fez uma paródia muito legal pra abrir os olhos das pessoas sobre infelizes práticas comuns de anos eleitorais. Acorda Brasil! Não vamos deixar essa dança pegar!

Citação

A escolha é clara: ou não fazemos nada e permitimos que um futuro miserável e provavelmente catastrófico nos alcance, ou usamos nosso conhecimento sobre o comportamento humano para criar um ambiente social no qual poderemos viver vidas produtivas e criativas, e fazemos isso, sem pôr em risco as chances de que aqueles que se seguirão a nós serão capazes de fazer o mesmo. — B.F. Skinner, 1978

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Eventos

II Encontro Catarinense de Análise do Comportamento
De 15 a 17 de abril de 2010 em Florianópolis - SC. Saiba mais

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De 13 a 15 de maio de 2010 em Londrina. Saiba mais

XIX Encontro da ABPMC
De 23 a 26 de setembro de 2010 em Campos do Jordão - SP. Maior fórum de analistas do comportamento do Brasil. Saiba mais

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