O SINDIUPES - Sindicado dos Trabalhadores em Educação Pública do Espírito Santo - publicou manifesto contrário a decisões que o governo de Estado tomou em relação à políticas de bonificação de professores por desempenho. O sindicado avalia que a prática proposta é inadequada por tomar apenas um indicador dos processos envolvidos na Educação para atribuir remuneração e ainda deixará de assistir aos professores já aposentados. Ainda na análise do sindicato, uma proposta de avaliação da educação deveria contemplar diversos outros indicadores para que se possa ter um panorama fiel sobre aquilo que acontece nas escolas e, principalmente, fora delas a partir do que os alunos aprendem. A análise apresentada pelo SINDIUPES é coerente e, talvez eles não saibam, também possui embasamento em décadas de pesquisas sobre processos de análise de comportamentos, processos de ensino-aprendizagem e sistemas organizacionais na Psicologia produzidos por pesquisadores analistas do comportamento ou behavioristas.
O curioso dessa história é que o SINDIUPES classifica a decisão do Governo do Espírito Santo de “segregatória” e “behaviorista“. Pelo simples fato de a proposta do governo ter um principio de “recompensar” bom desempenho do professor, essa prática foi rotulada de “behaviorista”. Esse é um equívoco muito grave e que precisa ser desfeito. Não é o uso de “recompensas ou punições” que torna alguma prática “behaviorista”. Para solicitar correção no material divulgado e retratação pública sobre esse infeliz e preconceituoso comentário, a presidência da ABPMC - Associação Brasileira de Psicoterapia e Medicina Comportamental - que é o principal fórum de cientistas, professores, profissionais e alunos envolvidos com a Análise do Comportamento, encaminhou carta ao sindicato esclarecendo os equívocos contidos nessa rotulação inadequada e apresentando informações sobre o que é, de fato, ser “behaviorista”.
A carta redigida pela Prof. Dra. Martha Hubner é muito esclarecedora, demonstra com argumentos sólidos e exemplifica com dados de intervenções e pesquisas realizadas por analistas do comportamento, que relacionar o uso de “recompensa” com “prática behaviorista” é algo leviano, inadequado e preconceituoso. Como esse mesmo tipo de equívoco também aparece em algumas publicações nas áreas de pedagogia, administração e mesmo na psicologia, vale a pena divulgar a carta encaminhada ao SINDIUPES.
Clique aqui para ler a carta da presidência da ABPMC sobre o caso.
