Participação nos lucros e as relação empresa x trabalhador

A contra-capa do Folha de São Paulo é sempre uma fonte rica e preciosa de informações e análises críticas (salvo exceções, como as porcarias escritas pelo José Sarney veiculadas semanalmente). No dia 07 de fevereiro de 2010 o empresário Emílio Odebrecht publicou artigo entitulado “Lucros e Resultados” em que descreve parte das variáveis envolvidas na atual ênfase na participação dos resultados nas empresas brasileiras. Vale a pena conferir:

Lucro e Resultados por Emílio Odebrecht

A participação dos trabalhadores nos resultados é hoje um imperativo na vida de qualquer empresa. Na era em que vivemos, o que faz a diferença são o conhecimento que as pessoas dominam e a interação entre elas, que gera o conhecimento coletivo. O decisivo é o fator humano, condição que dá a cada indivíduo o direito de sentir-se sócio e comportar-se como dono da organização onde trabalha.

Por essa razão, temos assistido no Brasil a uma grande evolução nas formas de se construírem as relações entre os trabalhadores, seus líderes ( diretores ou não) e os acionistas. Não precisamos, portanto, de novas leis ou normas desconectadas da realidade, mas de uma nova mentalidade pautada pela crença no valor da parceria e na capacidade de cada empresa definir seu próprio modelo de partilha dos resultados e de incentivo à produtividade.

Para contribuir com o debate em curso sobre o tema, listo abaixo o que considero as premissas indispensáveis
dessa agenda:

- No mundo do trabalho, devemos estimular sempre o diálogo entre líderes e liderados.

- A política de distribuição generalizada dos resultados obtidos pela empresa, a partir de um valor mínimo pré-estipulado, cria cartórios e desestimula os mais produtivos – o que não ocorre quando a participação equivale a uma taxa previamente pactuada sobre as metas a serem alcançadas pelo setor ou divisão da companhia.

- A avaliação de um profissional para efeito de pagamento de bônus não deve ter como parâmetro exclusivamente o lucro, mas o conjunto de resultados tangíveis e intangíveis que ele logrou alcançar, dentre os quais está o lucro, porque, sendo este a única medida, a empresa não terá parceiros, terá mercenários.

- Deve prevalecer sempre o conceito básico da autorremuneração, o que significa que todo profissional que tenha uma relação formal com uma empresa deve tomar consciência de que precisa produzir, sim, lucros com o seu trabalho e que parte dele serve para sua retirada mensal e para a remuneração variável a que fizer jus. A sobra cabe à empresa investir, de modo a criar novas oportunidades para outros trabalhadores, dar retorno aos seus acionistas e cultivar intangíveis que façam diferença na perspectiva do futuro.

- Finalmente, empresas e trabalhadores precisam ser vistos como uma coisa só, entes convergentes e não antagônicos, cujas relações já superaram arcaicas concepções de opressor e oprimido e que dispensam o paternalismo legalista, que não educa, não promove e não valoriza quem tem valor e traz resultados de fato.”

Tags: , , ,

Deixe um comentario

Eventos

XX Encontro da Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental
De 07 a 10 de setembro de 2011 em Salvador - BA. Saiba mais

V Encontro Paranaense de Análise do Comportamento
Data a confirmar - em Maringá - PR. Saiba mais

Grupo de Estudos em Análise do Comportamento
Toda quarta, das 12h30 as 13h30 na Universidade Positivo, Curitiba - PR.