A assustadora apatia política dos jovens

Corrupção, nepotismo, bandidagem, politicagem, irresponsabilidade, destruição ambiental, enriquecimento ilício e tantos outras atividades denunciadas diariamente nos jornais. E o que fazemos em relação à tudo isso?

Resmungamos? Dizemos que o país está perdido? Que não tem mais jeito? Que sempre foi assim? Que não há o que fazer?

Chega a ser assustadora a apatia política da atual juventude. Por muito menos, em gerações passadas, estudantes invadiam as ruas, os plenários e exigiam mudanças e melhores decisões políticas. Hoje, no máximo, comentários genéricos ou engraçadinhos enviados pelo twitter parecem ser a forma de manifestação daqueles que ainda se manifestam…

O que aconteceu com nossa juventude? Por que não se envolvem com política pública? Em uma discussão recente em nosso Programa de Pós-graduação, um dos professores destacou que antes da ditadura militar em nosso país, a participação dos movimentos estudantis nas decisões políticas era intensa. Com a ditadura, tais movimentos foram reprimidos e os que continuaram a lutar por um país melhor acabaram torturados, mortos ou exilados.

A ditadura militar acabou… e nós? Por que continuamos a agir como se corressemos o risco de sermos torturados ou exilados por manifestar nossas opiniões e idéias para a construção de um país melhor? Algumas crônicas recentes no jornal Folha de São Paulo examinam que não são necessários militares para acabar com a participação política da juventude de um país. A própria política (ou os políticos que ocupam cargos públicos) já tem criado contingências suficientes para atenuar a participação de outras pessoas, que não eles próprios, nas decisões governamentais.

Resumindo: Quem está no poder cria condições para permanecer no poder. Perdemos completamente o horizonte de um projeto de desenvolvimento econônico, social e ambiental para o país como orientador das ações de nossos governantes, para a simples luta pela manutenção de poder de quem já o detêm. Parafraseando meu orientador, o critério orientador das ações dos políticos tem sido a mera “ocupação de espaço“.

Incentivo aqui nesse site a participação dos leitores para acompanhar, avaliar e questionar as decisões de nosso presidente, senadores, deputados, prefeitos, etc. Na barra à esquerda, há link direto para enviar email para senadores e deputados. Pessoalmente, aprendi com meu pai, já há algum tempo, a ser “chato” e enviar emails para eles com alta frequência. De todos os emails que mandei, no máximo 5 foram respondidos. Dois deles por respostas padrão que não respondiam absolutamente nada do que era questionado. Esse exemplo ilustra o desinteresse de nossos governantes de que as pessoas participem das decisões tomadas, ou do debate público daquilo que acontece nos círculos fechados da governança de nosso Estado.

Diante da inércia daqueles que deviam brigar por um país melhor (NÓS MESMOS!) e do total desinteresse de nossos governantes de que tenhamos controle sobre aquilo que eles fazem, o que nos cabe fazer?

Manter-se resmungando não me parece uma boa saída…

Não fazer nada seria incompatível com tudo que acredito…

E aí? Quais são suas idéias para contruirmos um país melhor?


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Um comentario to “A assustadora apatia política dos jovens”

  • _Maga disse:

    Os porquês não são simples. As perguntas amplas demais. Mas posso garimpar algumas pistas.

    Ivo viu a uva. Foi assim que fomos alfabetizados nas decadas de 70/80. Isso para aqueles que tiveram a sorte de chegar a esta lição da cartilha Caminhos Suaves. Não sei você, mas meus professores nunca chegariam a completar um livro didático. Desculpariam-se, esbravejariam, nós culpariam. Ao final do ano aquela velha sensação incompletude, de que não era necessário chegar ao fim, mais importante era deixar o tempo correr, as coisas se ajeitariam com ele.
    As coisas não se ajeitaram com o tempo. O país tem uma penca de analfabetos funcionais, eu continuo sem saber lidar com as proparoxitonas e a uva é uma fruta para cada vez menos Ivos verem.
    Mais do que uma educação para a apatia, tivemos outro problema: quando a ditadura foi embora nos deparamos com um mundo cheio de possibilidade. Possibilidades cotidianas de mais, onde dispersamos nossa energia com um monte de coisas e não enfocamos o suficiente em nada…

    Brasileiro só não desiste nunca, porque quase nunca conclui algo.

    O que ainda não consegui é saber quais os caminhos trilhar de agora em diante.

    Contudo, se palpite vale, você parece estar trilhando por um bom caminho.

    Um abraço

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