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Economia Comportamental

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Palavras chave: Behaviorismo

Avaliação do II ECAC

Antes do evento…

II ECAC entrou para a história da Análise do Comportamento no Sul do BrasilA história do II ECAC (Encontro Catarinense de Análise do Comportamento) tem detalhes que talvez poucos conheçam. Após a realização do primeiro encontro, em abril de 2007, havíamos planejado realizar a segunda edição em 2009. Uma equipe de organizadores foi estruturada ainda em 2008, projeto submetido a agência de fomento do Governo de Santa Catarina (FAPESC) e, ainda em 2008, a aprovação da verba para realização do evento.

O que parecia ser um início tranquilo, tornou-se um pesadelo. O acesso a verba liberada era mediado pela UFSC, por meio de sua fundação (FAPEU) que, naquela época, sofreu intervenção do Ministério Público  por problemas fiscais. Nossa esperança de realizar o evento, que se torna inviável sem o apoio da FAPESC, foi por água abaixo. Além do ECAC, muitos outros eventos sofreram o mesmo nesse período.

A FAPESC, visando superar esse problema, mudou seus procedimentos e passou a assinar contrato diretamente com o pesquisador responsável, tirando a intermediação da FAPEU, abrindo novo edital para evento. Isso possibilitou que encaminhassemos novamente o projeto para uma nova solicitação de recursos. Com isso, a realização do II ECAC em 2010 começou a tornar-se uma possibilidade.

img_0859_1001x669Foram muitas reuniões dos organizadores (Sílvio, Olga, Nádia, Juliane, Gabriel, Hélder, Fernanda, Celina e Eduardo) avaliando demandas de nosso estado para serem atendidas por meio do encontro, possibilidades de programação e convidados, análise de espaços para realização do evento, entre outras atividades necessárias na organização desse tipo de encontro. Tudo parecia caminhar em passadas fortes.

Mas para nossa surpresa, mesmo com o novo procedimento da FAPESC, a liberação da verba para o evento demorou muito. Já em 2010 ainda estávamos angustiados com a dificuldade (pra não dizer incontrolabilidade e imprevisibilidade!) para encaminhar a organização, por não saber se teríamos o recurso necessário.

Com tudo isso, entramos em um dilema: Sabíamos que se não divulgassemos logo o evento, não teríamos público. Se divulgassemos, talvez não tivessemos a verba para realizá-lo. Um dilema de tirar o sono…

Em fevereiro de 2010 eu, pessoalmente, já estava desiludido. Já tinha me convecido de que o evento não aconteceria. Para minha surpresa, Silvio e Olga convocaram mais uma reunião para dar encaminhamento ao evento. Eu já sou macaco velho na organização de evento (já somam mais de 15 organizações nos últimos 10 anos). Encontrei Sílvio no corredor e falei para ele que teríamos muito pouco tempo para organizar e divulgar o evento e que isso traria muito estresse além do que já vivemos na correria do dia-a-dia. Disse ainda: “inviável“. Sílvio simplesmente ignorou minha argumentação, disse que tudo daria certo e confirmou a reunião.

img_0901_1037x1555Embora eu acreditasse que as condições não nos eram favoráveis, mantive-me junto aos organizadores e buscando forças pra acender chamas de esperanças de que tudo seria possível e que teríamos um bom encontro. Mas, confesso, sabia que com apenas 2 meses de divulgação teríamos grandes dificuldades.

Os dois meses de reta final passaram, além dos 9 organizadores, juntaram-se um verdadeiro exército de bravos monitores. Além deles, contamos com o apoio de muitos ex-alunos de Sílvio e Olga que hoje se multiplicam por Santa Catarina e Rio Grande do Sul, disseminando a Análise do Comportamento às novas gerações.Com todo esse apoio, demorou mas os participantes apareceram: estudantes e profissionais de todo o Estado de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. Tínhamos aquilo que é mais importante em um evento: participantes.

Apesar da pressa para viabilizar tudo, as contingências criadas, mantidas e fortalecidas foram muito favoráveis para que os encaminhamentos ocorressem com relativa tranquilidade e principalmente com muito afeto e respeito por todos.

O evento: II ECAC

A qualidade de um encontro é proporcional a qualidade das contingências criadas por seus organizadores. A equipe de monitores funcionou muito bem, o ambiente foi bem organizado, a família do Silvio e Olga contribuíram muito para a organização dos lanches nos intervalos e, o que é mais importante, as pessoas (participantes, conferencistas e organizadores) estavam felizes. Um ambiente gratificante para todos que lá estavam.

Dito tudo isso sobre a organização do evento, é hora de falar sobre as atividades lá realizadas…

Desde o início dos preparativos do II ECAC em 2008, a proposta era que no evento fosse evidenciado aspectos importantes do desenvolvimento da Análise do Comportamento como uma contribuição a sociedade. E foram 2 anos de preparação formulando uma idéia de programação, descobrindo pessoas que pudessem contribuir para esse exame.

img_0955_1037x1555O evento começou com Sílvio Botomé apresentando um exame de múltiplas contribuições na história da Ciência e da Análise do Comportamento que possibilitaram o desenvolvimento de uma Ciência Comportamental que produz efetivas mudanças na sociedade e que possibilita enxergarmos e entendermos as contingências sob as quais nos comportamos. Essa apresentação foi uma espécie de sinopse do que aconteceria nos dois dias seguintes com graus de detalhamento ainda mais sofisticados a partir das contribuições dos conferencistas convidados.

No segundo dia, começamos com Mônica Gianfaldoni (PUCSP) explicitando contribuições gerais da história de desenvolvimento da Ciência e a localização da Análise do Comportamento como parte dessa história. Um aspecto que parece ter sido bem valorizado é a caracterização da Ciência como um processo de conhecer que possibilita ao homem compreender com alto grau de precisão o mundo a sua volta. Outro aspecto importante é a valorização do trabalho de quem dedicou sua vida, ou parte dela, para criar condições para que as gerações posteriores pudessem ir além. Criticar qualquer cientista ou filósofo por limitações de suas idéias no passado as vezes parece ser um fetiche de estudantes contemporâneos, que não percebem que as idéias dessas pessoas é que possilitaram, inclusive, que fossem identificadas possibilidades de ir além de suas próprias idéias. Respeito ao que veio antes, modéstia para reconhecer que não partimos de um vazio, mas do produto dos comportamentos de muitos outros é uma lição de sensibilidade, ética e respeito.

Em seguida tivemos a sempre preciosa contribuição de Isaias Pessotti, nosso pensador. Isaias apresentou a história ou desenvolvimento da Análise do Comportamento desde as contribuições dos fisiologistas como Pavlov, passou por Skinner e Keller até as contribuições dos pioneiros da Análise do Comportamento no Brasil, como Carolina Bori, Rodolfo Azzi, ele próprio e os demais pioneiros. Detalhou essa história com a perícia de quem a viveu e lutou muito por tudo isso. Como sempre, Isaias nos deliciou com muito humor as dificuldades, desafios e superações que os bravos guerreiros behavioristas da primeira geração no Brasil tiveram que enfrentar para superar desafios políticos como a ditadura militar e o próprio preconceito para com os behavioristas. Vale destacar as histórias de como eram os primeiros experimentos, com equipamentos montados por eles próprios e as descobertas decorrentes de tudo isso. Isaias, nosso pensador, nos fez questionar nossos próprios comportamentos e valorizar aqueles que abriram a possibilidade de estudar e trabalhar com análise do comportamento no mundo e no Brasil.

img_1037_1555x1037Continuamos com preciosa contribuição da Tatu (Maria Helena Leite Huzinker da USP) que destacou um princípio fundamental para a compreensão das contribuições da Análise do Comportamento: todo comportamento é adaptado. O que chamamos de “doença psicológica” é mais um nome para uma interação específica entre um indivíduo e seu ambiente do que algo que ocorre dentro desse indivíduo. Tatu, que é uma cientista de referência no mundo em seus estudos sobre desamparo aprendido, apresentou dados do que descobriu por meio de pesquisa básica e, o que foi mais importante, ilustrou com muita modéstia e precisão a quantidade de variáveis que simplesmente não temos conhecimento ainda sobre processos comportamentais. O trabalho do cientista é cumulativo e apresenta avanços graduais. Não temos uma Ciência acabada, pois isso seria contrario a própria definição de Ciência. Temos um processo que nos permite conhecer, avaliar o conhecimento e aperfeiçoa-lo constantemente a partir das novas descobertas. E foi isso que a Tatu nos demonstrou.

Para fechar o segundo dia de evento, Vera Regina Otero (ORTEC Ribeirão Preto) que é uma das pioneiras em terapia comportamental no país, relatou aspectos importantes no trabalho de um psicólogo clínico a partir do conhecimento científico e dos princípios e métodos da Análise do Comportamento. A coerência entre a forma de atuação de um analista do comportamento e o que entendemos por Ciência parece ter sido muito bem evidenciado. Técnicas e instrumentos são acessórios que ajudam o terapeuta, mas não o que orienta sua atuação. Aprender a caracterizar comportamentos (ou analisar comportamento) e a sintetizar novos comportamentos ou fortalecer os existentes são aquilo que é mais importante. Aprender a fazer isso requer contínuo estudo das contribuições das pesquisas básicas e a modéstia de compartilhar as próprias descobertas com os outros e aprender com os outros.

img_1270_1555x1037No último dia do evento (17/04/2010), tivemos mais 3 atividades. Na primeira, Roberto Banaco (PUCSP e PARADIGMA) examinou sua própria história como aprendiz, profissional e professor de Análise do Comportamento. Essa atividade permitiu que os participantes, em sua maior parte estudantes de graduação e pós-graduação identificassem os desafios, dificuldades e conquistas de um profissional nessa área de conhecimento. A valorização de outros profissionais com quem aprendeu a comportar-se como analista do comportamento demonstrou, mais uma vez, o respeito e a modéstia de reconhecer que ninguém cresce sozinho nesta vida. Roberto, de maneira muito afetiva, transformou sua apresentação em uma verdadeira homenagem a todos aqueles que lhe possibilitaram aprender novos comportamentos. Por fim, Roberto apresentou os fatos e idéias que culminaram na criação do Núcleo Paradigma em São Paulo que hoje é uma das referências em formação de profissionais analistas do comportamento no país. A criação desse empreendimento possibilitou condições para desenvolvimento de profissionais iniciantes e abertura de novos campos de atuação em Análise do Comportamento. A orientação de um projeto dessa magnitude orientado para necessidades da sociedade foram impactantes para todos nós, que não conhecíamos a gênese do projeto e as dificuldades enfrentadas ao longo do caminho.

Em seguida tivemos a apresentação de um profissional que nem sabia que Análise do Comportamento existia, mas que já está a pelo menos 60 anos lutando pela construção de melhores contingências em comunidades e ensinando comportamentos de grande valor social para aqueles que são marginalizados na sociedade. O irmão Antônio Cecchin há muito tempo trabalha com catadores de papel, agricultores sem terra entre outros grupos que vivem a margem da sociedade em condições muito precárias de vida. A vitalidade desse senhor de 82 anos que continua atuando ativamente a frente de movimentos populares comoveu a todos nós. Um homem que dedicou e dedica todos os seus dias na luta por aqueles que nada têm e que vive no mundo marginalizado. A pergunta “A quem nós psicólogos servimos de fato?”, questionada por Sílvio Paulo Botomé em um artigo polêmico na década de 1980, e a idéia de uma Análise do Comportamento como “parte do problema ou parte da solução”, indicada por James Holland em seu clássico artigo com esse nome, voltou a tona: estamos atuando para promover boas contingências, equilibrio nas relações de poder, melhores condições de vida àqueles que necessitam ou apenas reproduzindo aquilo que nos dá conforto e atendendo a pequena parcela da sociedade que já detem poder e recursos em demasia?

img_1344_1555x1037Irmão Antônio foi aplaudido de pé por todo o público em reconhecimento das batalhas que enfrentou em sua vida e nos ideiais que orientam suas ações sem nunca perder a esperança e o bom humor. Confesso que chorei ao final de sua apresentação. Ver um homem que tanto estudou (vários cursos de graduação em seu currículo e uma erudição fantástica) que se dispõe a viver com os pobres e os ensina a lutar por seus direitos. Antônio é um legítimo exemplo de um homem que apresenta “comportamentos behavioristas”, examinando contingências, identificando necessidades sociais e intervindo sobre elas.

A última atividade envolveu o depoimento de diversos colegas que passaram pelo Programa de Pós-graduação em Psicologia da UFSC, na linha de pesquisa em Análise do Comportamento, que relataram o que aconteceu em seus trabalhos após a pós-graduação. Identificar os desafios e as conquistas de cada um deles foi uma espécie de motivação para aqueles que se encontram em meio a suas formações e que, agora, localizam melhor aquilo que fazem em um panorâma histórico mais amplo e enxergam contingências que devem orientar suas ações na sociedade.

Por fim…

Fortes emoções foi o que vivi no II ECAC. Consegui enxergar com mais clareza e precisão uma quantidade enorme de variáveis envolvidas no meu próprio comportamento profissional. E aprendi uma lição muito importante que gostaria de compartilhar.

Eu disse que em dado momento sugeri que cancelassemos o evento para evitar confusões e estresse para os organizadores. Nesse momento eu estava olhando mais para necessidades internas minhas e para o conforto e bem estar dos demais organizadores. Sílvio Botomé ignorou isso e eu achei na época que fosse uma decisão insensata dele. Mas o ânimo dele e dos demais organizadores era tão grande que eu também fui contagiado para manter-me trabalhando nisso. Depois do ECAC, ficou claro para mim que o que controlava o comportamento dele era a função social do evento, os benefícios diretos e indiretos para todos os participantes e não a dificuldade ou problemas que poderiam ocorrer para os organizadores.

Mais uma vez, “a quem nós psicólogos servimos de fato?” parece ser uma pergunta crucial para nos fazermos todos os dias antes de irmos para nossas empresas, consultórios, faculdades, etc. ou mesmo quando organizamos encontros para estudantes.

Só tenho a agradecer a todos os colegas organizadores por todo o trabalho empreendido e por me manter animado mesmo quando perdi as esperanças, ao exército de monitores que viabilizaram a ocorrência do evento, aos conferencistas convidados por suas preciosas, afetivas, modestas e respeitas contribuições, e aos participantes que mesmo sabendo do evento em cima da hora acreditaram no ECAC como uma boa oportunidade de atualização em Análise do Comportamento.

Agora é hora de avaliar tudo o que aconteceu para viabilizar novas contingências coerentes com o que acreditamos e fortalecer as que já construímos. Quem sabe, em 2012, compartilhamos novas vivências no III ECAC.

Confira a galeria de fotos do evento clicando aqui.

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O que aconteceu com o pequeno Albert?

Já havia lido em livros de introdução a Psicologia e mesmo em livros de Administração muitas histórias sobre o que teria acontecido com o pequeno Albert. Para quem não lembra, o “pequeno Albert” é como ficou conhecido na literatura internacional o menino com o qual John Watson realizou experimentos de aprendizagem respondente (reflexa). Por exemplo, ao ver um ratinho branco, emitia-se um ruiduo estrondoso e aversivo para o menino. Com o passar das ocorrências, observou-se que não apenas o rato branco elicia respostas emocionais, mas também qualquer outra coisa branca. Esses estudos marcaram o início do campo de pesquisa sobre generalização e discriminação de estímulos também.

Nas histórias que alguns livros contam, o pequeno Albert teria se tornado um adulto doente, problemático, fóbico, medroso, entre outros adjetivos. Mas nunca havia visto nenhuma referência a um trabalho que de fato tivesse investigado o que ocorreu com o pequeno Albert com informações confiáveis. Para buscar informações confiáveis sobre o que teria ocorrido com um dos sujeitos experimentais mais famosos da história da Psicologia o psicólogo Hall Beck realizou uma busca que durou 7 anos para descobrir o paradeiro de Albert. Os detalhes dessa aventura científica estão publicados na revista American Psychologist.

Eu não tive acesso ao artigo completo, apenas ao relato de André Cravo apresentado pelo blog da SBNC. Ele relata que o verdadeiro nome de Albert era Douglas. No texto, André ainda  destaca com muita propriedade que na época (década de 1920) não haviam procedimentos éticos estabelecidos e que não era comum mudar o nome de voluntários, como foi feito por Watson. Além disso, nenhuma das lendas urbanas sobre o destino do pequeno Albert - ou Douglas - estava certa. O pequeno Douglas morreu com apenas 6 anos de idade, possivelmente por sequelas de uma meningite. Fim trágico para um personagem tão importante para a história da Psicologia…

Usos e abusos de termo “behaviorista”

O SINDIUPES - Sindicado dos Trabalhadores em Educação Pública do Espírito Santo - publicou manifesto contrário a decisões que o governo de Estado tomou em relação à políticas de bonificação de professores por desempenho. O sindicado avalia que a prática proposta é inadequada por tomar apenas um indicador dos processos envolvidos na Educação para atribuir remuneração e ainda deixará de assistir aos professores já aposentados. Ainda na análise do sindicato, uma proposta de avaliação da educação deveria contemplar diversos outros indicadores para que se possa ter um panorama fiel sobre aquilo que acontece nas escolas e, principalmente, fora delas a partir do que os alunos aprendem. A análise apresentada pelo SINDIUPES é coerente e, talvez eles não saibam, também possui embasamento em décadas de pesquisas sobre processos de análise de comportamentos, processos de ensino-aprendizagem e sistemas organizacionais na Psicologia produzidos por pesquisadores analistas do comportamento ou behavioristas.

O curioso dessa história é que o SINDIUPES classifica a decisão do Governo do Espírito Santo de “segregatória” e “behaviorista“. Pelo simples fato de a proposta do governo ter um principio de “recompensar” bom desempenho do professor, essa prática foi rotulada de “behaviorista”. Esse é um equívoco muito grave e que precisa ser desfeito. Não é o uso de “recompensas ou punições” que torna alguma prática “behaviorista”.  Para solicitar correção no material divulgado e retratação pública sobre esse infeliz e preconceituoso comentário, a presidência da ABPMC - Associação Brasileira de Psicoterapia e Medicina Comportamental - que é o principal fórum de cientistas, professores, profissionais e alunos envolvidos com a Análise do Comportamento, encaminhou carta ao sindicato esclarecendo os equívocos contidos nessa rotulação inadequada e apresentando informações sobre o que é, de fato, ser “behaviorista”.

A carta redigida pela Prof. Dra. Martha Hubner é muito esclarecedora, demonstra com argumentos sólidos e exemplifica com dados de intervenções e pesquisas realizadas por analistas do comportamento, que relacionar o uso de “recompensa” com “prática behaviorista” é algo leviano, inadequado e preconceituoso. Como esse mesmo tipo de equívoco também aparece em algumas publicações nas áreas de pedagogia, administração e mesmo na psicologia, vale a pena divulgar a carta encaminhada ao SINDIUPES.

Clique aqui para ler a carta da presidência da ABPMC sobre o caso.

Palestra sobre Educação no Instituto Federal de Santa Catarina

Hoje pela manhã estive no Instituto Federal de Santa Catarina - campus São José - para ministrar palestra aos professores do Grupo de Pesquisa em Educação em Ciências. Os professores desse grupo estão promovendo debates e aperfeiçoamento sobre Educação visando capacitar docentes da instituição para formar os profissionais dos novos cursos de licenciatura em Ciências.

O objetivo da atividade foi caracterizar algumas contribuições mais gerais da Análise do Comportamento para a Educação e desfazer os famosos mal-entendidos sobre o Behaviorismo. Por uma série de razões históricas, o Behaviorismo é uma das filosofias mais criticadas em pedagogia, embora poucos pedagogos de fato a conheçam. Críticas como “isso é a psicologia do estímulo-resposta”, “só serve para adestramento”, entre outras, são críticas sem fundamentos que pararam no tempo, mas que continuam sendo repetidas em livros da área de Educação. Autores como Kester Carrara (livro: Behaviorismo Radical: Crítica e Metacrítica) examinam com muita precisão porque tais criticas não são apropriadas ao Behaviorismo.

Pessoalmente, nunca me vi na posição de “defensor do Behaviorismo” e meu objetivo não é torná-lo sagrado. Como cientista que estuda o comportamento humano, prefiro avaliar o conhecimento produzido sob qualquer nome ou rótulo e fazer uso ou pesquisar aquilo que produz resultados promissores. E, nesse sentido, os métodos de trabalho e o conhecimento produzido sob o nome de Behaviorismo, mostra uma promissora possibilidade de entendimento e de desenvolvimento de melhores práticas docentes. É isso que eu defendo! Ensino cada vez melhor! :-)

Na palestra que apresentei, com um título pretencioso de “Contribuições da Análise do Comportamento para a Educação: Desfazendo Equívocos e Superando as Limitações do Ensino Conteudista” apresentei algumas contribuições de grandes educadores como Fred Keller, Carolina Bori e, não poderia faltar, meus orientadores, Sílvio Paulo Botomé e Olga Mitsue Kubo, para compreender os processos de Ensino e Aprendizagem.

Os professores que estavam na palestra participaram ativamente trazendo exemplos e questões pertinentes para debate. Fiquei muito feliz com a qualidade das participações deles, que demonstraram que são educadores comprometidos com a aprendizagem de seus alunos. Também foi estimulante ver no final da atividade, durante o cafezinho, os questionamentos que eles fizeram sobre a infeliz prática rotineira de alguns profissionais se abraçarem a uma filosofia de Educação (construtivismo, etc.) e ignorarem as demais contribuições de outras perspectivas. Também demos boas risadas sobre o tipo de coisa que cada um deles aprendeu sob o nome de “behaviorismo” na faculdade. Muitas críticas ou ainda o uso de técnicas específicas sem o devido exame filosófico e ético daquilo que esta sendo feito.

Além disso, confesso ter batido um saudosismo da época em que eu estudei no CEFET-PR. Meu período no ensino técnico foi muito marcante em minha formação, do ponto de vista profissional e também de amizades que por lá fiz. Acho que retornar à instituição que teve parte importante em minha formação para debater sobre Educação com os professores é uma forma de agradecer por tudo que fizeram por mim.

Espero que a atividade tenha contribuido de alguma forma ao Grupo de Pesquisa, e que tenha sido agradável para cada um dos professores participantes, quanto foi para mim!

Citação

Não podemos aplicar um mesmo receituário técnico a diferentes contextos culturais sem uma avaliação crítica de sua adequação. — Alexandre Dittrich, 2004

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Eventos

II Encontro Catarinense de Análise do Comportamento
De 15 a 17 de abril de 2010 em Florianópolis - SC. Saiba mais

IV Encontro Paranaense de Análise do Comportamento
De 13 a 15 de maio de 2010 em Londrina. Saiba mais

XIX Encontro da ABPMC
De 23 a 26 de setembro de 2010 em Campos do Jordão - SP. Maior fórum de analistas do comportamento do Brasil. Saiba mais

Twitter @heldergusso