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Economia Comportamental

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Palavras chave: modelagem de comportamento

Aprendendo a escalar: exame dos processos de formação de conceitos, generalização e discriminação de estímulos

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Florianópolis-SC. Crédito: Adrenailha

Ajudar alguém a aprender algo, seja por meio de ensino formal ou de outras formas de ajuda – psicoterapia, aconselhamento, etc. – requer sofisticada análise das propriedades que compõe o que precisa ser aprendido, para que essa ajuda possa ser efetiva e mais do que uma mera boa intenção. Entre os múltiplos aspectos importantes de serem examinados, a visibilidade sobre os processos de generalização e discriminação de estímulos são cruciais como aspectos facilitadores da aprendizagem. Na programação de ensino é uma condição facilitadora variar as propriedades dos estímulos para facilitar as generalizações das características definidoras de cada fenômeno e as discriminações de aspectos não nucleares e comuns a outros fenômenos.

Em cursos de escalada é comum os pretendentes a alpinista iniciarem sua formação em treinamentos em paredões de escalada indoor, dentro de academias. Nesses paredões as agarras em que o aprendiz se sustenta durante a subida têm diferentes tamanhos e formatos e são sinalizadas em diferentes cores que podem, ou não, representar um caminho a seguir. Ao iniciar as escaladas em rocha é comum que os aprendizes se deparem em situações nas quais simplesmente não conseguem identificar agarras na rocha. É como se a pessoa não enxergasse as agarras, por mais que as procure visualmente ou tateando o paredão. Nessas situações um instrutor experiente pode facilitar a discriminação das agarras possíveis de serem utilizadas pelo aprendiz por meio de instruções verbais. Quando o instrutor diz expressões como: “repare na ponta de rocha acima de sua mão direita”, para o aluno, metaforicamente, é como se alguém tivesse acendido a luz e a partir desse momento aquela garra se tornasse visível. Com isso, provavelmente nas próximas ocasiões nas quais for escalar naquele local, identificar aquela garra seja mais fácil e rápido, assim como identificar garras com propriedades semelhantes em rochas também se torne mais provável. O que o instrutor fez, nesse exemplo, foi auxiliar o aprendiz a discriminar propriedades definidoras de um tipo específico de agarra importante para a prática do esporte. E, como decorrência disso, tornou mais provável que o aluno identifique esse tipo de agarra em outras ocasiões nas quais propriedades similares estejam presentes, processo nomeado como generalização.

A discriminação “dá especificidade, variedade e flexibilidade ao comportamento” (Keller & Schoenfeld, 1950, p.132). É o processo no qual identificamos as propriedades que definem uma classe de ventos e que nos permite distingui-la de outras coisas. A importância disso não é apenas para podermos falar sobre a distinção dessas classes, mas principalmente por nos permitir apresentar comportamentos distintos em relação a cada uma delas. Retornando ao exemplo do alpinista, se este não for capaz de distinguir entre agarras em rocha que lhe dêem sustentação de outros tipos de protuberâncias, saliências e fendas na rocha, é provável que essa pessoa tenha alta probabilidade de se machucar ou de não conseguir subir nas paredes de rocha. A distinção – nesse caso visual e tátil – é condição fundamental para que o alpinista atue com perfeição em seus movimentos. Um bom instrutor será capaz de ajudá-lo facilitando esses processos de discriminação.

Quando alguém identifica as propriedades definidoras de uma classe, as pesquisas sobre esses processos indicam que, simultaneamente, há estabelecimento de algum grau de generalização do que foi aprendido. É aumentada a probabilidade de que essa pessoa comporte-se discriminadamente mesmo em outras circunstâncias (em outro ambiente ou em outro momento), demonstrando estabilidade e coerência de seu comportamento mesmo em um ambiente mutável (Keller & Schoenfeld, 1950). No caso do alpinista, as aprendizagens em uma via de escalada que tiveram propriedades em comuns com a situação com a qual se depara em outras vias, auxiliará a comportar-se apropriadamente de modo mais rápido (menor latência de resposta) e com maior precisão. Enquanto na discriminação o aprendiz distingue propriedades entre classes diferentes (inter-classes), na generalização identifica em situações distintas a ocorrência de fenômenos de mesmas classes (intra-classe). Novamente, um bom instrutor será hábil em criar condições que facilitem as discriminações, e em sinalizar aspectos que possam facilitar as generalizações.

A ocorrência desses dois processos não depende de condições de ensino ou da presença de professor – a condição de “ensino” apenas facilita a ocorrência desses processos.  Sempre que um organismo se comporta, as conseqüências de suas ações criam condições que possibilitam estabelecer discriminações e generalizações o tempo todo. A expressão formação de conceitos é a que descreve o processo comportamental no qual um organismo aprende a agir diferencialmente diante de classes distintas e de modo semelhante diante de classes com propriedades em comum. O conceito de agarra para um alpinista profissional é o que lhe facilita identificá-las rapidamente em uma rocha, lhe permitindo fazer transições de alta complexidade e usar apoios minúsculos que podem parecer impossíveis de serem utilizados a um aprendiz que ainda não “enxerga” a agarra do mesmo modo.

Vale destacar que há uma importante distinção entre conceituar e definir. No exemplo anterior, talvez o alpinista profissional e o aprendiz definam agarra de modo semelhante, ou mesmo igual. A definição é uma expressão verbal – escrita ou falada – que descreve as propriedades relavantes do referente anunciado pela expressão verbal. “Formar conceitos” ou “conceituar” refere-se a comportar-se discriminadamente em relação a esse referente.

Referência:

Keller, F.; Schoenfeld, W.N. (1950). Princípios de Psicologia. Capítulo VI: Variabilidade de resposta e diferenciação. São Paulo: EPU.

* – Texto escrito para atividades da linha de pequisa em Análise do Comportamento em Organizações do programa de pós-graduação em Psicologia da UFSC.

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